Ondjaki, o escritor angolano já bem conhecido do público por obras como
"o assobiador" (2002), "quantas madrugadas tem a noite" (2004), "os da
minha rua" (2007), "AvóDezanove" e "o segredo do soviético" (2008),
entre outros títulos, sempre colocou Angola, e em particular Luanda, de
onde é natural, no centro da sua escrita.
Com o presente romance, de novo aparece Luanda - a Luanda atual do
pós-guerra, das especificidades do seu regime democrático, do
«progresso», dos grandes negócios, do «desenrasca» - como pano de fundo
de uma história que é um prodígio da imaginação e um retrato social de
uma riqueza surpreendente.
Combinando com rara mestria os registos lírico, humorístico e
sarcástico, os transparentes dá vida a uma vasta galeria de personagens
onde encontramos todos os grupos sociais, intercalando magníficos
diálogos com sugestivas descrições da cidade degradada e moderna.
Ontem tive o prazer e ouvir este poema pelas vozes de cinco alunas da Escola Secundária de Arganil. Foi tão bom, tão bom, que hoje andei o dia todo com este poema na cabeça ;)) Aqui vai o poema da Auto- Estrada... Voando vai para a praia Leonor na estrada preta. Vai na brasa, de lambreta. Leva calções de pirata, vermelho de alizarina, modelando a coxa fina, de impaciente nervura. como guache lustroso, amarelo de idantreno, blusinha de terileno desfraldada na cintura. Fuge, fuge, Leonoreta: Vai na brasa, de lambreta. Agarrada ao companheiro na volúpia da escapada pincha no banco traseiro em cada volta da estrada. Grita de medo fingido, que o receio não é com ela, mas por amor e cautela abraça-o pela cintura. Vai ditosa e bem segura. Com um rasgão na paisagem corta a lambreta afiada, engole as bermas da estrada e a rumorosa folhagem. Urrando, estremece a terra, bramir de rinoceronte, enfia pelo horizonte como um punhal que se enterra. Tudo...
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