Ela tem vindo a avisar: não esperem truques, artifícios ou malabarismos. Gisela João, a cantora de Barcelos que se tornou “fadista eleita” numa quase unanimidade, estará nos palcos da Casa da Música e do Centro Cultural de Belém (esta quarta-feira no Porto e sábado em Lisboa, com salas esgotadas) apenas com os seus músicos e a sua voz. Nada mais, além do público e dos seus fados.
Ontem tive o prazer e ouvir este poema pelas vozes de cinco alunas da Escola Secundária de Arganil. Foi tão bom, tão bom, que hoje andei o dia todo com este poema na cabeça ;)) Aqui vai o poema da Auto- Estrada... Voando vai para a praia Leonor na estrada preta. Vai na brasa, de lambreta. Leva calções de pirata, vermelho de alizarina, modelando a coxa fina, de impaciente nervura. como guache lustroso, amarelo de idantreno, blusinha de terileno desfraldada na cintura. Fuge, fuge, Leonoreta: Vai na brasa, de lambreta. Agarrada ao companheiro na volúpia da escapada pincha no banco traseiro em cada volta da estrada. Grita de medo fingido, que o receio não é com ela, mas por amor e cautela abraça-o pela cintura. Vai ditosa e bem segura. Com um rasgão na paisagem corta a lambreta afiada, engole as bermas da estrada e a rumorosa folhagem. Urrando, estremece a terra, bramir de rinoceronte, enfia pelo horizonte como um punhal que se enterra. Tudo...
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